Primeiras Impressões: AohaRaido

“Arriscar é viver”

Eu sei que vocês chegaram a esse texto na expectativa de ler quais foram as minhas impressões sobre essa mangá em questão, mas por favor permitam que o primeiro parágrafo seja sobre mim mesmo. Mais precisamente um recorte do meu cotidiano, realizado às 13:30 do dia 27 de março de 2015. Nessa data e hora em questão, me encontrava numa banca de jornal do centro de Niterói encarando o primeiro volume de AohaRaido. Nada sabia, além da sinopse, acerca dessa obra. Na verdade nem sou fã do gênero shoujo. Mas por causa da campanha #MêsdoShoujo, vim me informando recentemente sobre essas publicações, e me surpreendi com a grande procura de leitores por esse recente lançamento. Apesar do pouco dinheiro que tenho ultimamente, apesar de não estar acostumado com leituras desse tipo, apesar de ter umas 300 páginas de livros do mestrado me esperando nesse fim de semana, eu arrisquei. Comprei o primeiro volume, e enquanto recebia o troco, me dizia em pensamento: “dei uma chance a você, AohaRaido”. E o mangá a aproveitou.

AohaRaidoA simpática capa de AohaRaido ^^

“AohaRaido” (ou Ao Haru Ride) é um mangá de autoria de Io Sakisaka, publicado originalmente pela editora Shueisha em 2011. No Brasil a editora responsável pela publicação é a Panini, e o primeiro volume chegou às bancas em março desse ano. O mangá gira em torno de Futaba Yoshika, uma colegial que não gosta de garotos – mas nem por isso é lésbica, só para deixar claro. O único rapaz com quem ela sentia-se bem era Tanaka, um rapaz mais sensível por quem ela descobre, com o tempo, estar apaixonada. Mas devido a um desentendimento e outros fatos inexplicados, Tanaka some da vida de Futaba sem ao menos se despedir. Três anos depois, ambos voltam a se encontrar, já no colegial. Mas três anos não são três dias, assim como os dois jovens não são mais os mesmos de antigamente. Então o que garante que os seus sentimentos não são outros agora?

print AohaRaido 2O tempo não para e não volta. Por ninguém.
(scan em inglês, foi o melhor que encontrei, desculpa galera)

Durante as primeiras páginas do mangá, fui levado a crer que tinha comprado apenas um romance adolescente como outro qualquer. Mas no decorrer do mangá, percebi que a obra ia além disso. Sim, existe romance ali: recheado de amor platônico, com cobertura de choro contido e acompanhado de sonhos e expectativas. Mas o primeiro volume de AohaRaido também fala de inveja, amizade, da dura tarefa de se adequar a papéis sociais…E principalmente sobre arriscar-se. Existe algo chamado Zona de Conforto que penso ser o grande mal do nosso século. Muitas vezes deixamos de buscar nossa felicidade pelo medo de não poder voltar atrás. E ficamos estagnados. Na zona de conforto ninguém cresce. Ninguém vive, ninguém se apaixona, ninguém é feliz.

print AohaRaido 1
Quem você realmente é por trás dessa sua máscara?

Quem me conhece sabe que tenho algumas críticas ao trabalho da Panini com relação a HQs em geral, mas a editora está de parabéns pelo trabalho em AohaRaido. O primeiro volume veio com um brinde – um singelo marcador de páginas, mas principalmente o trabalho de extras foi muito bem feito. Comentários da própria autora pipocam aqui e ali durante a leitura, sempre oferecendo observações interessantes sobre a história ou sobre a própria vida da mangaka. Ao final temos uma espécie de glossário com explicação para termos e expressões japonesas, auxiliando um leitor mais novato a não ficar perdido na história. E a edição tem o preço de R$ 12,90, bem moderado para esses tempos de crise econômica, não?

“Algumas vezes, podemos estar otimistas, outras, pessimistas, ou até mesmo indecisos sobre para qual lado pender. O essencial é sempre viver plenamente. Para o bem ou para o mal, sempre dando tudo de si. Para mim, essa é a cara da juventude”.
(Io Sakisaka)

“AohaRaido” não era o que pensava: é melhor. Não comprei apenas um romance bobo, mas um bom conjunto de reflexões cotidianas sobre o quanto podemos ser mais felizes se tivermos a coragem de quebrar tabus, medos e até mesmo laços ruins. O tempo perdido não volta, mas sempre podemos começar uma nova era em nossas vidas. Basta arriscar.

E aí, tá esperando o que para começar?

90

OBS: se você curte Shoujo, esses links podem te interessar:

Review do mangá: “Tom Sawyer”: http://drophour.com.br/2014/10/29/review-tom-sawyer/

Review em vídeo do mangá “Vitamin”: 

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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