Opinião: 5 animes/mangás para se indicar a um casual

Quase todo fã de anime e mangá já passou pela experiência de estar numa roda de amigos, não tão fãs do gênero, e tentar convence-los de assistir algum anime e ser repelido com “Ah, mas anime é coisa de criança” ou “Ah, mas é tudo pokémon, não quero ver”. No texto de hoje vou apresentar 5 obras que considero indicações quase certas para pessoas casuais e que podem te ajudar na próxima reunião! (Vale ressaltar que a ordem não é questão de preferência)

  • Cowboy Bebop

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Misturando elementos clássicos de bang bang com um cenário futurista tão bom quanto as cultuadas franquias Star Wars e Star Trek, Shinichiro Watanabe criou essa magnifica obra. Cowboy Bebop é um marco dos anime da década de 90 e com um ritmo descontraído e ótimas cenas de ação, acompanhamos a trajetória de Spike Spiegel e sua tripulação.

Considero esse anime uma boa indicação para qualquer pessoa por ser uma obra com tantas referências e até mesmo “apropriações” ocidentais, que uma pessoa pouco familiarizada com o estilo japonês vai acabar encontrando algum elemento que a agrade. Se você é fã de uma ficção é quase certo que você vai gostar desse anime. Vale ainda ressaltar a trilha sonora que usa e abusa do melhor do jazz e casa perfeitamente com as perseguições e tiroteios que vemos durante a série.

  • Death Note

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Death Note certamente foi um dos animes/mangás mais badalados da última década. Com uma trama inovadora para a sua demografia (estamos falando de um protagonista-antagonista em uma revista onde o lema é amizade e esforço), a obra apresenta um enredo policial bem trabalhado e com alguns elementos da mitologia japonesa (Shinigamis a.k.a Deus da Morte). Na trama acompanhamos a trajetória de Light Yagami, um adolescente que acha um Death Note (caderno que mata uma pessoa que tenha seu nome escrito nele) e decide fazer justiça com as próprias mãos.

Apesar da presença dos Shinigami e da “maneira como os crimes são cometidos”, Death Note trabalha muito bem o conceito de suspense e investigação policial. Assim como em Cowboy Bebop, o roteirista, Tsugumi Ohba, usa e abusa de padrões ocidentais na construção da obra faz com que aquela situação absurda vire um intrigante mistério digno de um romance policial britânico.

  • Orange

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Se você tivesse a possibilidade de enviar uma carta ao seu do passado a fim de tentar mudar coisas que você se arrepende e, mais ainda, ajudar a salvar a vida de um amigo, você o faria? É com base nessa pergunta que o shoujo Orange se desenvolve.

Nessa obra acompanhamos o dia a dia de um grupo de amigos do ensino médio e, em especial, ao jovem Naho e o estudante transferido Kakeru. Naho acaba se apaixonando pelo menino, mas recebe uma carta do seu eu do futuro dizendo que o jovem irá morrer e que ela deve tentar impedir tal ato.

Sinceramente eu não sou muito fã da demografia shoujo, mas Orange em especial foi um manga que me conquistou de primeira. O enredo é muito bem trabalhado, a relação entre os personagens é desenvolvida de maneira magnifica e a presença de um elemento “time travel” foram grandes destaques. Apesar de se tratar de um grupo de adolescentes, a obra apresenta temas bem maduros e faz com que aquele grupo de amigos aprenda com essas experiências e de fato amadureça com aquilo.

Diferente das duas primeiras obras, Orange não tem a proximidade com o ocidente, mas isso não interfere em nada nesta recomendação. Eu diria que, diferente de muito filme de romance vazio que vemos saindo todo ano, essa é uma história que não só te cativa pela relação dos personagens, mas também acrescenta uma visão sobre o amadurecimento das pessoas.

  • Estúdio Ghibli

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Conhecido e respeitado mundialmente, o Estúdio Ghibli é uma referência no que diz respeito a animações em longa-metragem. Por isso, não recomendarei apenas uma obra do estúdio, mas a sua obra como um todo.

Com uma arte que mescla a qualidade e simplicidade, Ghibli consegue apresentar ao telespectador a essência delicada e perspicaz da cultura japonesa. Com uma aparência quase de pintura, os filmes do estúdio acabam tendo um charme e até um impacto visual único dentro do mundo dos animes. Sinceramente, só pela experiência visual eu já acho uma recomendação muito válida.

Além da questão visual envolvida, os enredos dos filmes são sensacionais. A diversidade temática, a fluidez do desenvolvimento e a sutileza apresentada justificam o apelo da crítica internacional e os prêmios conquistados. Hayao Miyazaki e todos os outros responsáveis por essas obras conseguem captar o melhor da arte literária japonesa e transportam para a sétima arte.

Além de ser uma boa porta de entrada para o mundo das animações japonesas, considero essas obras como uma fonte de conhecimento da cultura japonesa como um todo. Diversos conceitos literários, fatos históricos e até representações da sociedade japonesa estão presentes nesses filmes. E, como estamos num post de recomendações, deixarei aqui minhas duas obras preferidas: A Viagem de Chihiro e Mononoke Hime.

  • Hikaru no Go

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O meu gênero preferido de anime e mangá são os de esporte, por isso, não poderia deixar de recomendar um aqui nessa lista. O mangá em questão é Hikaru no Go, que fala de um esporte pouco conhecido no ocidente, mas que tem uma relevância cultural enorme em alguns países do oriente.

No mangá acompanhamos a infância e adolescência de Hikaru Shindo, um jovem preguiçoso e que tenta se dar bem sempre da maneira mais fácil. Certo dia o jovem acha um tabuleiro de Go na casa do seu avô e acaba acordando a alma do carismático Sai, um fantasma que tem forte ligação com o jogo e por isso se recusa a ir para o outro mundo. Com isso Hikaru começa a descobrir mais sobre o jogo e, gradativamente, vai se interessando de verdade por aquilo.

Apesar de uma temática bem batida e com alguns aspectos até infantis durante o desenvolver da obra (que eu considero normais, por se tratar de um shonen), Hikaru no Go apresenta uma das melhores narrativas de amizade que eu já li numa obra dessa demografia. A relação construída por Sai e Hikaru é muito bem trabalhada e para o leitor fica evidente a influência disso no amadurecimento do personagem. Sendo bem franco, o mangá tem um esporte como background e tema, mas eu diria que o real atrativo é a convivência dos personagens e o amadurecimento de Hikaru entre a sua infância e adolescência. Apesar de se tratar de algo mais de nicho (afinal, quase ninguém conhece Go), a construção narrativa que eu citei faz com que esse mangá possa ser indicado para qualquer público, ao meu ver.

É isso galera, essas foram as minhas recomendações e espero que tenham gostado. Algumas delas eu realmente já usei com amigos pouco familiarizados com as obras japonesas e funcionaram!

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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