Anos 60s: Animes de robôs e tokusatsu na era da ciência

Ola aqui é o Maquim, Bem como já devem ter percebido nos meus outros artigos, eu gosto de falar sobre animes, mangas e algumas outras coisas sobre a cultura Japonesa. Mas o que vocês não devem sabem é que eu tenho uma paixão pelo gênero mecha e por essa causa, quando eu estava me formando na UFRJ eu preparei o meu TCC, dando um enfoque nessa minha paixão.

Bem é claro que não da pra colocar toda a monografia em um único artigo, por isso eu dei uma modificada no meu texto original e organizei ele para vocês, espero que gostem.

(ANIMES DE ROBÔS E SUAS TRANSFORMAÇÕES AO LONGO DAS DÉCADAS)

Hoje eu pretendo falar um pouco sobre a década de 60 no Japão e como eram os animes de robô nesse período e claro, como a competição com os tokusatsu, influenciaram as próximas produções.

Nos primeiros anos da década de 60 ainda não existia o conceito de gênero (mecha), esse conceito vai surgir apenas na década de 70. Na década de 60 o Japão é marcado pela rápida recuperação pós segunda guerra mundial e pelo rápido desenvolvimento econômico obtido através do milagre econômico. Com o poder de compra da população elevado, surgiu o boom do consumismo no final da década de 50 e todos os consumidores queriam comprar máquinas de lavar, geladeiras e TVs em preto e branco. Esses produtos foram chamados dos “three divine devices”, ou também conhecidos como os three C’s.

Nos anos 60, Tvs coloridas, carros e ar condicionados foram os objetos de desejo da população que foram conhecidos como os novos “three C’s.”.

 Astro Boy anime

Aproveitando o consumo das televisões, em janeiro de 1963 o anime Astro boy, de Osamu Tezuka, foi lançado. Astro era um pequeno menino robô em uma família normal, um personagem que vai para uma escola com as crianças humanas, mas ao contrário deles, o protagonista tinha um reator nuclear no lugar do coração, um cérebro de computador, olhos que serviam como lanternas, foguetes em seus pés. Em vez de lutar em guerras, ele lutava contra monstros e bandidos em nome da paz. Este personagem se tornou um dos heróis de fantasia mais populares de todos os tempos, e a imagem de que um robô Androide com sentimentos pode ajudar o homem ficou para sempre gravada na consciência nacional. As crianças japonesas tinham descoberto um novo herói, e essa descoberta deu início a era de produções de anime.

Nesse período, os robôs que foram apresentados nos animes eram mais como um hibrido entre máquina e homem seguindo as ideias apresentadas por Astro boy. Vários outros programas utilizaram a temática de robôs,  como por exemplo Tetsujin 28-gō de Mitsuteru Yokoyama (1963) e 8 Man Kazumasa Hirai (1963).

Tetsujin 28-gō

Tetsujin 28-gō, é o primeiro anime que apresenta um robô gigante e o conceito de controlar esse robô por um humano. Apresenta uma visão de robôs, não como armas militares e sim de proteção, da mesma forma que acontecia com o exército Japonês, que não possui uma força de ataque e sim apenas defesa. O anime foi exibido nos Estados unidos em 1964 pelo nome de Gigantor.

8 Man

No caso de 8 Man, verificamos que esse é um novo tipo de protagonista robótico, um ser humano cujas memórias foram baixados em um corpo robótico. Trata-se de uma fusão interessante do conceito tradicional heroi henshin (transformação) com elementos mais realistas em uma ficção cientifica. Mais precisamente, o herói é um cyborg em vez de um robô.

Em 1964, os Jogos Olímpicos foram realizados em Tóquio e, para tal evento, foi necessário um investimento rápido na infraestrutura e na malha ferroviária, para permitir o rápido deslocamento dos atletas e do público para os centros de competição. Para essa finalidade foi construído o Tokaido Shinkansen, conhecido como “trem bala”, que e iniciou a sua operação ligando Tokyo até Osaka. Nessa época, o horizonte de Tóquio era alterado mensalmente à medida que novas estradas eram estabelecidas e edifícios eram levantados, dessa forma Tóquio se transformou em uma metrópole de concreto.

Ligada a essas mudanças no ambiente de podemos perceber nas obras da época uma atitude positiva em relação à ciência, vista como capaz de melhorar a vida de todos.

Com o advento da televisão, novas técnicas foram desenvolvidas. Explorando o seu potencial e essas técnicas foram utilizadas pelos animes como por exemplo os cels.[1] Ao contrário do que acontecia com os mangas, que eram impressos em papel e não conseguiam passar as mesmas sensações que os animes conseguiam, as animações possibilitavam novos experimento que a tecnologia poderia trazer.

Pouco tempo depois, e na esteira da mesma evolução tecnológica ligada a televisão e outras invenções, outro gênero ganhava cada vez mais seguidores, o tokushu satsuei ou apenas tokusatsu.

Godzilla Tokusatsu

Uma das obras mais famosas do gênero é “Gojira” ou Godzilla (1954), um filme sobre um monstro ou kaiju[2] que fez muito sucesso na década de 50, e foi transformado ao longo dos anos em uma franquia de filmes, animes e brinquedos e atualmente a franquia possuí 34 filmes com sua marca. Com base nesse sucesso, cria-se uma legião de filmes sobre a temática de kaiju.

Em 1958, a Toei Company deu início a produção do primeiro super herói japonês Gekko Kamen[3]. A partir de então, o gênero começou a abranger as séries de televisão e produções cinematográficas. Nos anos 60, o gênero passa por uma grande alta causada pelas novas tecnologias, como a televisão a cores.

Ultraman Tokusatsu

Em 1966, pelas mãos de Eiji Tsuburaya[4], surge Ultraman, o herói que revolucionou o conceito de tokusatsu e desencadearia uma das maiores ondas produtivas do gênero. Esse personagem dá início ao sucesso dos chamados Kyodai heroes,[5] tokusatsu que tinham em suas histórias um momento em cada episódio em que o herói se transformava em versão gigante, para dessa forma enfrentar os inimigos que também possuíam uma versão gigante. Essa temática foi extremamente popular até meados dos anos 70.

Kamen Rider Tokusatsu

Em 1971 a série Kamen Rider, do famoso mangaka Shotaro Ishinomori, ganhava uma adaptação para televisão. Tornando-se um dos maiores sucessos da época, permitindo uma nova franquia que de certa forma mostrava uma oposição aos kyodai heroes.

Em 1975, estreia a série himitsu sentai goranger. Abre uma nova vertente no tokusatsu, os super sentai, que se diferenciavam dos outros tokusatsu pela utilização de uma equipe composta por cinco membros. Um bom exemplo desse formato é a franquia power rangers, que também fez grande sucesso e tornou-se uma franquia muito popular mundialmente.

Ao longo do tempo, a abrangência do gênero tokusatsu aumentou de forma considerável. Atualmente, contempla não apenas séries e filmes de super-heróis, mas também outras produções anteriormente não abrangidas como as adaptações live-action de mangas ou animes, por exemplo.

Cada episódio consistia das mesmas premissas, um novo monstro surgia para destruir a cidade. O herói com a ajuda dos seus companheiros, utilizava um ataque especial para destruir o monstro. Esse é um paradigma que é repetido até nas animações mais atuais.

Espero que tenham gostado, comentem o que vocês acham de tudo isso e nos vemos na próxima semana. Bye.

[1] Cels ou celulide são pintadas em um plástico transparente usado para criar uma animação. Cada cel é um frame, que são filmados em sequência dando a impressão de movimentos contínuos.

[2] É uma palavra japonesa que significa monstro. Especificamente, é usada para se referir a um gênero de tokusatsu. São filmes de efeitos especiais, normalmente de heróis ou monstros.

[3] http://www002.upp.so-net.ne.jp/koichi76/subj5_1.htm 25/11/2016

[4] diretor japonês, especializado em efeitos especiais, responsável por inúmeros filmes de ficção científica, incluindo filmes de Godzilla. Também é conhecido por ser o principal autor da série Ultraman.

[5] É um subgênero dos tokusatsu que envolve super-heróis ou robôs com a capacidade de crescer a alturas imensas para combater monstros gigantes

 

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