Crítica: Com roteiro fraco e atuações questionáveis, “Alien: Covenant” ainda não é a volta de Ridley Scott que os fãs da franquia esperavam

Depois de uma controversa volta em Prometheus, Ridley Scott retorna a sua franquia de sucesso com o filme Alien: Covenant. O longa trouxe grande expectativa pelos fãs e que prometia sanar as dúvidas deixadas no seu sucessor e resgatar todos os méritos que O Oitavo Passageiro conquistou.

No entanto, a sequência de Prometheus acabou não agradando como o esperado e muito menos revivendo o aclamado filme de horror espacial. Covenant, embora apresente diversos conceitos interessantes para o futuro da franquia, acaba pecando na sua execução e, principalmente, no seu roteiro.

Com um elenco subaproveitado e personagens genéricos, Ridley Scott apresenta ao público um filme tímido que deixa o horror em segundo plano e as suas melhores cenas apenas na sugestão. A matança dos Aliens é pouco apresentada e a violência gráfica acaba sendo encarada de maneira cômica pela maneira como os eventos acontecem durante o filme. Seja por soldados com condutas questionáveis ou até mesmo por uma tripulação de casais que, mesmo diante da morte dos seus amados, parecem mudar do luto para o senso de dever de maneira mecânica, o roteiro passa a sensação de que nenhum dos personagens ali presentes estavam de fato preparados para os seus cargos e que tudo aquilo é uma videocassetada.

A protagonista Daniels (Katherine Waterston) é uma versão genérica de Ripley e talvez a única humana com algum bom senso durante as duas horas do longa. Todos os demais personagens não são capazes de produzir qualquer empatia no público e lembrar do nome de pelo menos um deles se torna um grande desafio pelo quão desinteressante todos são. Os próprios Aliens perdem um pouco do medo que impõem e oscilam entre bichos de estimação e animais perigosos, mas desorientados.

Enquanto os humanos fazem cair, e muito, a qualidade do filme, os personagens e a atuação de Michael Fassbender são o que salvam o filme de ser um completo fiasco. Enquanto David estabelece o link direto com o filme anterior e é o principal responsável para expandir a mitologia da série, Walter mostra a faceta de fato robótica, um ser que executa o que é pedido e que, embora tenha afeição por alguns humanos, não saberia qualificar seus sentimentos mesmo que quisesse. Os papeis de Fassbender trazem discussões filosóficas interessantes e o eterno debate de criador e criatura talvez seja o ponto alto do filme que se preocupa em amarrar as ligações entre engenheiros, humanos, aliens e androides. Mas, mesmo a boa participação dos androides acaba sendo sabotada pelo roteiro e as sequencias previsíveis mascaradas de um falso mistério acabam quebrando o ritmo e a construção desses personagens.

Mas, mesmo com tantos problemas, o longa consegue entregar bons conceitos. Além das discussões filosóficas sobre a criação, a própria criação do xenomorfo ajuda a expandir a mitologia da franquia e os seus links com os filmes da franquia original. O roteiro, ainda que falhe no micro, acaba deixando bons ganchos para o macro do universo e desperta no público a esperança de que os próximos projetos de Scott (já confirmou a vontade de dirigir mais duas sequências diretas de Covenant) amarrem todas as pontas deixadas.

Alien: Covenant ainda não é a retomada de Ridley Scott que os fãs da franquia esperavam. Com muitas falhas, personagens esquecíveis e conceitos em aberto, o longa passa a sensação de uma oportunidade desperdiçada. Resta saber se os conceitos apresentados sejam de fato aproveitados no futuro, mas por hora Covenant é um filme mediano que só serve para reforçar o saudosismo d’O Oitavo passageiro.

 

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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