Isekai: uma breve analise sobre o gênero

Se você  assiste anime a algum tempo, deve ter percebido o aumento de animes, mangas e especialmente light novels com a palavra Isekai (異世界) em alguma parte do título. Parabéns você está diante de um novo gênero, ou de um novo subgênero para os menos entusiastas.

Mas não se engane, esse gênero parece ser algo novo, mas já estava presente em obras do início dos anos 90. Se você foi um sortudo de ter uma tv paga e ainda ter o pacote que tinha o canal Animax, você deve se lembrar do anime The Twelve Kingdoms ou se só teve acesso aos canais aberto talvez lembre de El-Hazard, que passava na Bandeirantes. Esses são exemplos de animes Isekai muito antes do atual boom no gênero de animes como Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu ou Sword Art Anline. Mas como começou o boom?

 Diferente de outros gêneros que tem a sua popularidade formada por leitores de mangas, o gênero isekai se formou através de autores iniciantes que publicavam os seus trabalhos literários em fóruns e blogs na internet. O site que, provavelmente, mais juntou autores foi Shousetsuka ni Narou (小説家になろう), dedicado a novos autores, para que eles publiquem suas criações.

A partir do sucesso que esses autores conseguiam na internet, as empresas literárias japonesas iniciam a publicar esses trabalhos. Essas obras, antes na conhecidas como web novel, começam a ser chamadas de light novel.

Bom, agora que sabemos um pouco da sua origem, vamos falar um pouco sobre o termo isekai em si. Primeiramente, Isekai (異世界) é a junção de duas palavras japonesas 異 i que pode ser traduzido como “diferente”, “estranho” e 世界 sekai “mundo”, formando em uma tradução livre ”outro mundo ”.

As histórias consistem basicamente do protagonista sendo mandado para um mundo diferente. O que torna esses mundos diferentes varia de autor para autor, mas as principais peculiaridades costumam ser cultura, língua e a história do mundo.

O gênero pode ser dividido em dois tipos de premissa:

  • O protagonista que é invocado ou transferido

O protagonista é invocado por alguém ou por alguma entidade para ser um herói como na obra No game no life, onde os protagonistas são enviados por um deus para esse novo mundo. Outro exemplo que podemos citar é a light novel Tate no Yuusha no Nariagari onde um grupo de heróis são sumonados pelo rei de um país (pretendo fazer uma resenha sobre esse novel um dia)

Tate no Yuusha no Nariagari

Os humanos desse mundo de fantasia invocam 4 pessoas de diferentes mundos para se tornarem heróis portadores das 4 armas lendárias, a espada, a lança, o arco e o escudo, e assim protegerem o mundo dos demônios. Naofumi se torna o herói do escudo, mas isso viria com um grande preço. O herói do escudo é considerado um inútil… Não, pior que isso. Ele é tratado como um empecilho. Isso porque os heróis não são capazes de utilizar nenhuma arma além da arma lendária que possuem. Resultado? Naofumi não é capaz de utilizar nada além do escudo e devido aos seus status como “herói do escudo”, nós temos o protagonista inicialmente procurando ajudar os humanos, mas acaba sendo traído por eles, tem seu dinheiro roubado e mesmo acusado falsamente de ser um criminoso e estuprador. Ele muda completamente e decide então não contar com ninguém para ajuda-lo. Ele compra uma pequena garota escrava demi-humana para cuidar da função que lhe falta como herói, sem confiar em ninguém. (Tudo isso ocorre no primeiro e segundo capítulos então nem venham falar de spoilers)

  • O protagonista que é reencarnado

Nesse tipo de premissa o protagonista começa normalmente morrendo em seu mundo e reencarnado em um mundo diferente. Usualmente eles mantem as memorias da sua vida passada e iniciam essa nova vida com algumas habilidades “apelonas“. O interessante nesse tipo de história é o fato de que, em quase todas elas, o protagonista é inicialmente apresentado como um recém-nascido, monstro ou objeto e, como normalmente esses heróis foram um fracasso na sua vida passada, tendem a  ver a reencarnação como uma oportunidade de ter uma vida melhor.

Alguns exemplos de obras

recém-nascido

Mushoku Tensei -Isekai Ittara Honki Dasu

O protagonista, um otaku gordo, desempregado e hikikomori de 34 anos que vive na casa dos pais. Depois de ser expulso de casa pelos seus irmãos, sem lugar para ir e sem emprego, acaba morrendo atropelado por um caminhão tentando salvar um grupo de colegiais. Após isso, ele se vê no corpo de um recém-nascido em um mundo de fantasia. O homem, que agora passa a atender pelo nome de Rudeus Greyrat, decide se esforçar para levar uma vida completamente diferente da vida inútil que levou anteriormente.

Monstro

Kumo desu ga, Nani ka

A protagonista é apenas uma garota colegial que morre e reencarna como uma aranha. Para ser mais exato, um monstro aranha. Kumo Desu ga possui praticamente só a protagonista como personagem durante boa parte da obra. Se mantendo em “como sobreviver dentro de uma dungeon sendo o mais fraco”.

Objeto

Tensei shitara Ken deshita

Quando ele percebeu, estava em outro mundo e tinha se tornado uma espada que foi enfincada em um altar em uma grande planície, rodeada de bestas demoníacas. O mundo em que ele estava tinha um sistema de jogo: HP, MP, Força, Vitalidade, Agilidade, Inteligência, Destreza, Títulos e Equipamentos. Seguindo seu instinto como uma espada viva, ele viajou para encontrar o que poderia ser seu portador, até que ele se encontrou com uma garota gato que estava prestes a ser atacado por um urso tipo besta demoníaca.

Qual a diferença entre isekai e fantasia?

Baseado no que falei no texto você pode entender que isekai é simplesmente o gênero de fantasia apenas com um nome em japonês, pois podemos pensar em vários exemplos na literatura ocidental em que os personagens são levados para um outro mundo. Como por exemplo Alice no pais das maravilhas ou As crônicas de narnia.

Então como podemos diferenciar os dois gêneros?

Inicialmente temos que diferenciar o gênero fantasia dele mesmo.

Existem dois subgêneros na fantasia que são conhecidos como “alta fantasia” e “baixa fantasia”

O termo “alta fantasia” foi criado por Lloyd Alexander em um ensaio de 1971, “High Fantasy and Heroic Romance”

A alta fantasia é definida como um mundo alternativo ou diferente do que conhecemos, como senhor dos anéis ou Eragon, enquanto que a baixa fantasia ocorre no mundo real ou o nosso mundo só que com fantasia como por exemplo Percy Jackson.

Porém, a melhor forma de separar os dois gêneros é através das suas características.

Alta fantasia é marcada por três características

  1. Mundo alternativo (Dungeons & Dragons)
  2. Introduzido através de um portal (Alice no país das Maravilhas,As Crônicas de Nárnia)
  3. Mundo-dentro-de-um-mundo (Deuses americanos)

Baixa fantasia é marcada pelas características:

A fantasia urbana, nos livros de voltados para adultos é apresentada através de uma narrativa em primeira pessoa, e introduzem seres mitológicos, objetos personificados e vários protagonistas que estão envolvidos na aplicação da lei ou vigilância, como Anita Blake. Enquanto os romances de fantasia urbana voltados para adolescentes, a narrativa segue protagonistas inexperientes que são inesperadamente atraídos para lutas paranormais. Em meio a estes conflitos, os personagens muitas vezes ganham aliados, encontram romances, e, em alguns casos, desenvolvem ou descobrem habilidades sobrenaturais próprias.

Depois de tantas definições, podemos dizer que o gênero isekai seria ao equivalente ocidental para a alta fantasia, mas não podemos esquecer que nem todos as obras de alta fantasia são isekai, pois nem todas elas possuem os elementos necessários para tal. Espero que vocês tenham gostado desse pequeno texto e que fiquem ansiosos pelos próximos.

 

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