Opinião: 5 animes/mangás que poderiam virar filme e com quais diretores

Adaptações de animes e mangás para live action, principalmente no ocidente, sempre geram polêmica com os fãs da cultura pop japonesa. Seja por fiascos como Dragon Ball Evolution ou primeiras impressões ruins como o recente trailer de Death Note.

No entanto, a esperança de algo bom e que agrade é sempre renovada com os anúncios e hoje falaremos de cinco animes ou mangás que poderiam ter uma boa adaptação e quem poderia dirigi-las!

Hibike Euphonium sendo dirigido por Damien Chazelle

Música, relação forte entre personagens e a pressão da vida cotidiana. Esses são alguns temas de Hibike Euphonium e temas que Damien Chazelle, um dos mais aclamados diretores da atualidade, aborda em suas obras.

Hibike foi um dos animes que vi recentemente que mais me agradaram e me surpreenderam. Com uma qualidade de animação incrível, personagens muito bem trabalhados e a surpresa de não ser um “novo K-On” só com meninas bonitinhas fazendo nada. Com isso, acredito que uma adaptação live-action focando na primeira temporada, onde as jovens começam a se relacionar e vemos a adaptação da banda para conseguir ganhar o torneio nacional seria uma experiência interessante de se ver.

A escolha de Chazelle imagino que traria para a obra uma percepção mais “cruel” da competição escolar, algo na pegada de Whiplash. Além do controle e precisão que o diretor tem com sua equipe de filmagem e as suas famosas cenas em plano sequência que possibilitariam uma grande apresentação no final do filme e uma recriação da bela cena da Reina, uma das protagonistas do anime, fazendo o teste para a sua posição na banda.

Samurai Champloo dirigido por Quentin Tarantino

Uma das obras mais reconhecidas do diretor de animação Shinichiro Watanabe, Samurai Champloo ficou muito conhecido pela sua mistura de elementos clássicos do período Edo no Japão e a inserção da cultura pop ocidental, principalmente na trilha sonora.

A saga de Fuu em busca do “samurai com cheiro de girassol” e do seu relacionamento com problemáticos samurais Mugen e Jin poderiam ser transportados para uma espécie de western no Japão dirigido por Tarantino. O diretor, que já é conhecido por inserir muito da cultura pop e da cultura oriental em seus filmes, teria tudo para fazer um grande trabalho nessa adaptação e poderia usar outro dos seus grandes tropes, a violência gráfica, com lutas de espada com muita mutilação e sangue jorrando para todo lado.

Os personagens, que já tem um carisma próprio na obra original, provavelmente seriam levados para versão com atores quase que literalmente e Tarantino, conhecido pela sua ótima escolha de elenco, saberia tirar o melhor do animê com grandes nomes do cinema.

Serial Experiments Lain dirigido por Lily e Lana Wachowski

Um dos animes mais filosóficos dos anos 90, Serial Experiments Lain trabalha muito com a inserção da tecnologia e da internet na vida das pessoas. Uma obra que explora bastante a dicotomia de realidade virtual x mundo real e como esses dois mundos podem ser tornar um só.

A presença de um escolhido, a relação com uma possível falsa realidade e até a presença de agentes que trabalham como “caçadores” daqueles que “transgridam” a realidade, que estão presentes em Lain, são também temas recorrentes na obra de maior destaque das Wachowski, Matrix. No entanto, a animação parte muito mais para o viés psicológico e menos para ação que vemos em Matrix o que poderia ser trabalhado pelas irmãs Wachowski como uma releitura do seu clássico.

Apesar de ser um anime bem datado pela maneira como retrata a tecnologia em sua época, certamente seria interessante ver como a personagem de Lain poderia ser adaptada e como a sua discussão de (não) existência poderia ser bem-vinda para o cinema.

Oyasumi Punpun dirigido por Michel Gondry

Oyasumi Punpun, mangá escrito por Inio Asano, narra a vida de um jovem problemático e todos os porquês que fizeram a sua vida ser do jeito que é. Apesar de uma narrativa bem cotidiana com enfoques nas relações entre personagens e as suas escolhas de vida, o autor surpreende com o trabalho gráfico e como ele representa alguns dos personagens através de pássaros feitos de maneira infantil. Uma obra densa e muito dramática, Punpun discute muitos elementos do chamado coming of age.

Uma obra tão experimental e que apresenta vários cortes por conta das divisões de idade do protagonista poderia cair bem nas mãos de Michael Gondry, conhecido, principalmente, por Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Gondry poderia trabalhar com um Punpun já velho narrando a sua vida com indas e vindas numa maneira não tão linear e destacando alguns pontos chave que o fizeram ser o que é, uma espécie de quebra cabeças que exploraria a vida do personagem.

Se levarmos em conta o seu principal trabalho, Gondry poderia se sair bem com uma experiência ousada como essa e até inovar com um Punpun em primeira pessoa como uma tentativa de não mostrar o protagonista ao público.

Fate/Stay Night dirigido por Zack Snyder

A luta pelo Santo Graal, o evento que une grandes magos e suas invocações é o grande tema de Fate/Stay Night, obra mais conhecida dessa franquia de jogos que veio para o mundo dos animes. Uma obra com personagens muito marcantes e grandes lutas, Fate/Stay Night teria tudo para ser um grande longa de ação.

A premissa por si só é fácil de vender, uma espécie de torneio com várias figuras históricas controladas por magos em busca de um artefato de grande poder. Com um bom orçamento, seria possível encaixar atores de peso nos protagonistas e grandes efeitos visuais para dar vida as cenas de luta.

A adição de Zack Snyder para essa adaptação traria, caso o diretor estivesse num bom momento como em 300, tomadas com foco na pancadaria com bom uso do slow motion, enaltecendo as armas e magias que os personagens utilizam. Ou até mesmo na combinação de grandes personagens em tela como no caso do polêmico Batman vs Superman que, embora não agrade o grande público, soube trabalhar a interação entre Mulher Maravilha, Batman e Superman.

É isso galera, esses são cinco obras da cultura pop japonesa que acho que dariam bons filmes. E você, concorda com a lista? Tem outras opções? Diz aí!

 

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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