Crítica: Velozes e Furiosos 8

“Vin Diesel assume a liderança e mostra que, apesar da falta de Paul Walker, a franquia se mantém viva”

Após o falecimento de Paul Walker, a milionária franquia da Universal, Velozes e Furiosos, tinha uma missão complicada de seguir com o oitavo filme da série sem um dos seus principais astros. No entanto, Vin Diesel aceitou o desafio e mostrou que pode carregar mais um filme.

Abraçando de vez a sátira e o exagero, Velozes e furiosos 8 entrega ao público mais um pouco da fórmula que vem dado certo desde o quinto filme da franquia. Apostando mais na ação e menos nas corridas em si, o longa consegue mesclar humor, exagero e o drama que, embora destoe da proposta inicial e pareça ser levado a sério apenas por Vin Diesel, é o que faz a trama avançar. F. Gary Gray, diretor do longa, consegue trazer algo de novo para franquia que procura mesclar as cenas de ação grandiloquentes com um apelo emocional. Talvez por termos saído de Velozes e Furiosos 7, onde James Wan nos entregou algo frenético e sem pausas, o oitavo filme passe a sensação de algo mais engessado e com menos fluidez que outros da série, mas nem por isso falta a adrenalina que é prometida ao telespectador.

Mas, mesmo com mudanças na sua estrutura, o longa respeita e homenageia a essência de Velozes e Furiosos e o seu principal tema, a família e a interação entre os personagens. Família essa que acaba entrando em conflito graças a nova vilã Chyper, interpretada por Charlize Theron, que força Toretto a ir contra sua própria família. Uma nova grande vilã, com um novo plano de destruir a Terra, mas que no fundo pouco importa e esse talvez seja um dos principais problemas do filme. Como disse anteriormente, Velozes e Furiosos já está internalizado no exagero e na galhofa, e é por isso que um personagem com motivações tão sérias como e com atos tão fortes (e violentos) como os de Chyper causam estranhamento.

No entanto, por mais que Chyper e todo o seu arco destoe, o gancho que faz com que a família de Don se separe entrega algo novo para a franquia, principalmente pelo motivo real da separação. Outro ponto que a ausência de Vin diesel no núcleo dos mocinhos acrescenta é a interação entre os personagens secundários como The Rock e Jason Statham que, sem a menor explicação, criam um laço de amizade através do atrito entre os dois construído desde o filme anterior e o já conhecido alivio cômico de Roman Pierce (Tyrese Gibson) que faz piadas nos momentos mais absurdos e circula por todo o grupo sempre gritando e reclamando. O oitavo filme só comprova o maior mérito da franquia que é o carisma do seu elenco e como a sua interação já transpassa a dos personagens em tela, o que o espectador vê no filme é uma relação de amigos.

Outro mérito que o longa tem é a ação. A franquia que já é conhecida pelos carros tunados e paisagens paradisíacas continua indo por esse caminho no que diz respeito a parte “veloz” do seu título e vem aproveitando cada vez mais do seu orçamento milionário para trabalhar o lado “furioso”. Das explosões até a perseguição com um submarino, tudo nesse filme grita pelo exagero e funciona justamente por aceitar que é assim que deve ser, quanto mais espalhafatoso, melhor, seja por uma Lamborghini no meio do gelo, ou por um tanque de última geração com uma submetralhadora. Além disso, vale um destaque para as lutas corpo-a-corpo que, desde a adição de The Rock ao elenco, vem ganhando destaque e muito mérito pelas ótimas coreografias. Ainda no mérito das lutas, vale ressaltar a pegada cada vez mais cartunesca que os personagens estão adquirindo, principalmente a figura de Don que, agora mais do que nunca, se assemelha a um super-herói digno de uma revista em quadrinhos.

Velozes e Furiosos 8 consegue manter e entregar tudo que os fãs da franquia poderiam querer. Muita ação, explosão e personagens cada vez mais entrosados são o que fazem da franquia o que ela é. Apesar de uma imposição dramática um pouco exagerada, o filme consegue se manter nos trilhos do que era esperado e o resultado final agrada.

 

 

 

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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